Abertura
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que pode adotar medidas de reciprocidade contra os Estados Unidos no episódio que envolve o delegado da Polícia Federal Marcelo Ivo de Carvalho, citado pelo governo americano como responsável por tentar contornar pedidos formais de extradição no caso da prisão do ex-deputado Alexandre Ramagem nos EUA. Lula disse não saber o que ocorreu no caso, rechaçou “ingerência” de autoridades americanas e indicou que o Brasil aguarda esclarecimentos de Washington.
Reação do governo brasileiro
Sem detalhar que tipo de medida poderia ser adotada, Lula mencionou a possibilidade de aplicar reciprocidade “contra um americano no Brasil”, caso se confirme abuso. “Não aceitarei essa ingerência e esse abuso de autoridade que algumas pessoas americanas querem ter com relação ao Brasil”, afirmou.
O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, disse que a notícia “não tem fundamento” e que o Itamaraty aguarda esclarecimentos das autoridades dos Estados Unidos. Vieira ressaltou que o delegado brasileiro trabalha em conjunto com órgãos americanos em Miami e que “todos sabiam” dessa função.
O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, informou que o delegado está nos Estados Unidos há mais de dois anos desempenhando a atividade. A PF, segundo ele, não foi comunicada formalmente sobre qualquer medida do governo americano. O Itamaraty afirmou que, por ora, não vai se manifestar oficialmente sobre o caso.
O que decidiu o governo dos EUA
Na segunda-feira (20), o Escritório para Assuntos do Hemisfério Ocidental do governo dos Estados Unidos anunciou que ordenou a saída do país de uma autoridade brasileira, acusando-a, sem citar nomes, de tentar “contornar pedidos formais de extradição” para promover “perseguições políticas”. A Embaixada dos Estados Unidos no Brasil confirmou à TV Globo que se trata do delegado da PF Marcelo Ivo de Carvalho, que atuava junto ao Serviço de Imigração e Controle de Aduanas (ICE).
Quem é o delegado citado
Marcelo Ivo de Carvalho é delegado da Polícia Federal e exercia funções de cooperação com autoridades americanas em Miami. De acordo com a PF, essa atuação é de conhecimento das autoridades dos dois países e ocorre há mais de dois anos.
Contexto: o caso Ramagem
Alexandre Ramagem, ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) no governo Jair Bolsonaro e eleito deputado federal em 2022 pelo PL do Rio de Janeiro, foi preso nos Estados Unidos. O governo americano aponta que houve tentativa de burlar procedimentos formais de extradição no curso do caso, o que motivou a ordem de retirada do delegado brasileiro do país.
O que é a reciprocidade
Em relações diplomáticas, o princípio da reciprocidade costuma embasar respostas proporcionais entre Estados, como restrições de atuação, limitações de visto ou a solicitação de retirada de representantes. Lula sinalizou que, se confirmadas irregularidades contra o Brasil, poderá haver resposta de igual teor.
Próximos passos
O governo brasileiro aguarda esclarecimentos formais de Washington sobre a decisão e sobre as acusações. A Polícia Federal afirma não ter sido notificada oficialmente. Com a sinalização de Lula sobre eventual reciprocidade e a cobrança de informações por parte do Itamaraty, o episódio tende a mobilizar os canais diplomáticos entre Brasil e Estados Unidos nos próximos dias.