Comunidade News
Brasília e Barcelona — Em nota conjunta divulgada neste sábado (18), os governos do Brasil, do México e da Espanha cobraram respeito à soberania de Cuba e anunciaram que irão “intensificar” o envio de ajuda humanitária ao país. O comunicado, divulgado pelo Ministério das Relações Exteriores do Brasil, não cita diretamente o ex-presidente dos Estados Unidos Donald Trump, que, em discursos recentes, afirmou que “Cuba é a próxima”, ao exaltar ações militares americanas na Venezuela e no Irã.
Nota conjunta e apelo ao direito internacional
No texto, os três governos afirmam que, “à luz da evolução da situação em Cuba e das circunstâncias dramáticas enfrentadas pelo povo cubano”, é necessário respeitar, “em todos os momentos, o direito internacional e os princípios da integridade territorial, da igualdade soberana e da solução pacífica de controvérsias, consagrados na Carta das Nações Unidas”.
Brasil, México e Espanha também expressam “profunda preocupação com a grave crise humanitária que afeta o povo cubano” e defendem que sejam adotadas medidas para aliviar a situação e evitar ações que agravem as condições de vida ou contrariem o direito internacional. Os três países “comprometem-se a intensificar a resposta humanitária coordenada, visando a aliviar o sofrimento do povo cubano”, acrescenta a nota do Itamaraty.
O comunicado afirma ainda que é necessário um diálogo “sincero, respeitoso e em conformidade com o direito internacional e com os princípios da Carta das Nações Unidas” para que Cuba consiga superar a crise.
Contexto: crise energética e escassez em Cuba
A situação em Cuba se deteriorou nas últimas semanas, com uma crise energética mais intensa, apagões recorrentes e falta de combustível, além de relatos de escassez de alimentos. Em 2024, o país já havia enfrentado uma sequência de blecautes em diferentes períodos do ano, incluindo interrupções de grande escala associadas a falhas em usinas termelétricas e à escassez de combustível, fatores que pressionaram serviços e a atividade econômica. Desde então, a combinação de falhas estruturais no sistema elétrico e restrições de abastecimento manteve a vulnerabilidade da rede, com impactos diretos no cotidiano da população.
Movimentação diplomática e cenário internacional
Recentemente, o líder cubano, Miguel Díaz-Canel, afirmou que autoridades de seu governo iniciaram negociações com os Estados Unidos. Embora o comunicado de Brasil, México e Espanha não cite Washington, a defesa do respeito à soberania e do diálogo se dá em meio a declarações recentes de Donald Trump, que, ao mencionar ações militares dos EUA na Venezuela e no Irã, disse que “Cuba é a próxima”.
Lula critica ameaças e defende reformas na governança global
Em Barcelona, também neste sábado (18), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou: “Nós não podemos levantar todo dia de manhã e dormir todo dia à noite com um tweet de um presidente da República ameaçando o mundo, fazendo guerra.” Lula tem histórico de críticas ao embargo dos EUA a Cuba e, em intervenções recentes, voltou a questionar a atuação do Conselho de Segurança da ONU, que, em sua avaliação, permanece paralisado e incapaz de evitar conflitos por conta do envolvimento de membros permanentes em guerras.
Próximos passos
Sem detalhar cronogramas ou volumes, Brasil, México e Espanha informaram que irão intensificar a coordenação de ajuda humanitária voltada a aliviar as condições de vida em Cuba. O teor do comunicado indica que os três países pretendem sustentar, em paralelo, uma agenda diplomática centrada no respeito ao direito internacional e na construção de canais de diálogo para enfrentar a crise na ilha.