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Alexandre de Moraes é o sujeito oculto do combo Messias-Dosimetria

Em meio à indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF) e ao avanço do projeto de lei que redefine critérios de dosimetria de penas para condenados pelos atos de 8 de janeiro, Brasília assiste a uma reconfiguração de forças sob a articulação do presidente da CCJ do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP). Embora não figure oficialmente no centro dessas negociações, o ministro do STF Alexandre de Moraes, relator dos processos sobre os ataques de 8 de janeiro, aparece nos bastidores como personagem decisivo nesse tabuleiro, segundo relatos colhidos por veículos da grande imprensa.

Indicação de Jorge Messias e disputa no Senado

  • O advogado Jorge Messias, indicado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva para o STF, enfrentou um ambiente de forte disputa na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, presidida por Davi Alcolumbre. Reportagem do G1 de 29 de abril de 2026 apontou para uma sabatina com “disputa voto a voto” entre governo e oposição.
  • A resistência ao nome de Messias já estava posta antes da eclosão do caso Banco Master. Segundo publicações da imprensa, o próprio Alexandre de Moraes, em avaliações reservadas, considerava a indicação um erro político e preferia outras alternativas, como a do presidente do Senado, Rodrigo Pacheco.

PL da dosimetria do 8 de janeiro

  • Paralelamente, avançou no Congresso o chamado PL da dosimetria, que estabelece parâmetros para a fixação das penas dos condenados pelos atos de 8 de janeiro. Em 30 de abril de 2026, o G1 noticiou a análise do veto presidencial à proposta; posteriormente, o Congresso derrubou o veto, conforme outra reportagem do portal. A medida foi lida por parlamentares como um recado de reequilíbrio de forças.
  • Por tratar diretamente de sentenças sob a relatoria de Moraes no STF, interlocutores no Congresso relatam que qualquer movimento que pudesse resultar em alívio de penas teria passado, ao menos informalmente, pelo radar do ministro, dada a centralidade de sua atuação nos inquéritos e ações penais relacionadas aos ataques de 8 de janeiro.

O caso Banco Master e o giro político

  • Documentos da Receita Federal enviados à CPI do Crime Organizado, divulgados pelo G1 em 8 de abril de 2026, apontam pagamentos do Banco Master que somam R$ 40 milhões a um escritório de advocacia ligado à esposa de Moraes. A revelação elevou a pressão política no entorno do ministro e reconfigurou apoios e resistências em Brasília.
  • Nesse contexto, ganhou força a leitura de que a indicação de Messias ao STF e a tramitação do PL da dosimetria se tornaram peças de um mesmo jogo. Interlocutores do Congresso relatam que, para travar a indicação de Messias, a oposição e parte do centro trabalharam para aprovar a dosimetria — um movimento que, na prática, poderia ser visto como um revés à linha dura que vinha sendo adotada nos julgamentos de 8 de janeiro.
  • Reportagens também mencionaram que o ministro André Mendonça, visto como antagonista de Moraes em pautas sensíveis, ganhou relevância ao assumir a relatoria de um tema relacionado ao Banco Master no STF, o que alterou o equilíbrio político no Supremo. Ao mesmo tempo, textos de bastidores lembraram que, apesar de resistências em setores do governo, Messias mantinha pontes com ministros da Corte, inclusive Mendonça.

Alcolumbre, Moraes e o fio da negociação

  • Alcolumbre e Moraes mantêm relação de confiança antiga, segundo relatos de bastidores no Congresso, o que reforçou a percepção de que o presidente da CCJ operou com um olho na indicação ao STF e outro na pauta da dosimetria.
  • Nos bastidores, a avaliação de parlamentares é que a revisão legislativa das penas só avançaria se não implicasse em confronto direto com o relator dos processos no Supremo, evitando fragilizar ainda mais um ministro que, desde 2023, assumiu papel central nas investigações dos ataques às instituições.

Alianças e dissidências à luz do voto

  • A disputa em torno da indicação de Messias e do PL da dosimetria evidenciou realinhamentos provisórios: antigos aliados se viram em polos opostos, enquanto adversários tradicionais se articularam por conveniência do momento, conforme relataram veículos da imprensa.
  • A votação expôs também dissidências em bancadas temáticas. Parlamentares da frente evangélica, por exemplo, teriam sinalizado apoio a Messias e, na última hora, votado contra — movimento que, segundo relatos, refletiu cálculos políticos e pressões regionais.
  • No chamado “arsenal” de votos contrários ao governo, pesaram diferentes motivos: antipatias pessoais a Messias, desgastes localizados com o Palácio do Planalto e a percepção de que o governo enfrentava uma fase de fragilidade política.

Impacto para Lula e para o STF

  • As derrotas no Senado e a derrubada do veto à dosimetria foram lidas em setores do centrão e entre atores do Judiciário como sinais de enfraquecimento do governo Lula. Ao mesmo tempo, o eventual isolamento de André Mendonça no Supremo sem a ida de Messias para a Corte seguiu como ponto de atenção — um dado que ajuda a explicar as tratativas cruzadas no Legislativo e no Judiciário.
  • A depender do desfecho da indicação e da implementação da dosimetria, o equilíbrio interno do STF e a condução dos processos do 8 de janeiro podem sofrer ajustes, com reflexos diretos no ambiente político e na relação entre os Poderes.

O que observar a seguir

  • No curto prazo, os próximos passos passam pela pauta da CCJ e do plenário do Senado em relação à vaga no STF, bem como pela regulamentação e eventuais questionamentos do PL da dosimetria.
  • Em paralelo, o andamento da CPI do Crime Organizado e os desdobramentos do caso Banco Master seguem no centro do radar político e jurídico.
  • Como lembram analistas, o cenário permanece volátil: uma recuperação de capital político por parte do governo, bem como novas movimentações no Supremo e no Congresso, pode reordenar novamente as peças desse xadrez.

Fontes: reportagens do G1 publicadas em 8, 27, 29 e 30 de abril de 2026; biografia e histórico de atuação de Alexandre de Moraes no STF.

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