‘Paradoxo da direita’: Flávio Bolsonaro perde força, mas rivais não conseguem herdar votos anti-Lula, diz diretor da Quaest
A nova pesquisa Quaest, divulgada na quarta-feira (10), indica que o presidente Lula (PT) lidera a disputa presidencial com 39% das intenções de voto na simulação de primeiro turno, enquanto o senador Flávio Bolsonaro (PL) aparece com 29%. Embora o desempenho de Flávio tenha sido afetado por recentes polêmicas, nenhum outro nome da direita ou centro-direita conseguiu capitalizar de forma consistente essa perda de fôlego. Para Felipe Nunes, diretor da Quaest, o campo conservador vive um “paradoxo”: “Flávio está enfraquecido para unificar, mas os outros são fracos demais para ocupar esse espaço”.
Polarização e terceira via estagnada
- O levantamento de junho aponta manutenção da polarização, com a vantagem de Lula sobre Flávio chegando a dez pontos percentuais.
- Os candidatos alternativos de direita e centro-direita surgem pulverizados e somam 12% das intenções de voto.
- Entre esses nomes, Renan Santos (Missão) tem 3%, empatado tecnicamente com Ronaldo Caiado (PSD) e à frente de Romeu Zema (Novo). Aécio Neves (PSDB), testado pela primeira vez, registra 2%, mesmo percentual de Zema. Com margem de erro de dois pontos percentuais, todos estão tecnicamente empatados.
Desgaste e “caso Banco Master”
A pesquisa de junho é a primeira após a revelação de mensagens em que Flávio Bolsonaro pede dinheiro ao banqueiro preso Daniel Vorcaro, do Banco Master, para financiar o filme “Dark Horse”, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. Segundo o levantamento, 65% dos entrevistados consideram o episódio um erro, o que contribui para o desgaste do senador. Ainda assim, esse movimento não se converteu em crescimento robusto de outros nomes do campo conservador.
O teto e o piso do sobrenome
Felipe Nunes avalia que Flávio segue como principal nome da oposição, mas sem liderança incontestável no conservadorismo. “O primeiro desses motivos é que ele carrega o sobrenome Bolsonaro, o que dá para ele um piso, mas também impõe para ele um teto. O segundo é que os demais nomes da direita ainda não têm força nacional suficiente nem conhecimento para substituí-lo”, afirma. O resultado, diz ele, é um impasse que mantém a disputa travada entre Lula e Flávio, com a terceira via sem tração.
Como votam os segmentos
- Entre os bolsonaristas, Flávio herda praticamente sozinho o capital político do ex-presidente Jair Bolsonaro e concentra 94% das intenções de voto.
- Na direita não bolsonarista, o cenário é mais fragmentado: Flávio lidera com 59%, enquanto Renan Santos aparece com 11%, numericamente à frente de Lula (10%) e de Caiado (6%). “O bolsonarismo continua firme com Flávio, mas a direita não bolsonarista aparece bem menos adepta a ele no primeiro turno”, observa Nunes.
- Entre os eleitores independentes, grupo considerado decisivo, Lula lidera com 28% no primeiro turno, seguido por Flávio (14%). Caiado marca 6% e Aécio, 4%.
Cenário de segundo turno
Em uma simulação de segundo turno entre Lula e Flávio, o placar é de 37% a 24% para o petista, enquanto 30% afirmam que não votariam em nenhum dos dois. Para Nunes, a principal mudança captada no mês ocorreu entre os independentes: “A mudança mais expressiva aconteceu nos independentes, que trocaram Flávio por Lula”.
Impasse na direita e corrida adiante
Os dados reforçam a leitura de que, apesar do desgaste recente de Flávio Bolsonaro e da vantagem ampliada de Lula, as alternativas fora do bolsonarismo seguem dispersas e sem impulso nacional. O quadro, segundo a Quaest, mantém a corrida presidencial polarizada e sustenta o paradoxo: a direita tem o seu principal nome enfraquecido para unificar, enquanto os demais ainda não despontam com força suficiente para ocupar o espaço disponível.