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Candidatos encerram campanha presidencial no Peru para um 2º turno acirrado

Lima — Às vésperas do segundo turno marcado para este domingo, Keiko Fujimori e Roberto Sánchez encerraram suas campanhas na quinta-feira (4) diante de milhares de apoiadores, em um ambiente de forte polarização. As pesquisas mais recentes indicam empate técnico e um contingente expressivo de eleitores indecisos, enquanto a criminalidade e a instabilidade política moldam o debate eleitoral.

Mensagens finais e clima de polarização

A direitista Keiko Fujimori, filha do ex-presidente Alberto Fujimori (1990–2000), defendeu uma agenda de “ordem e segurança” e pediu votos para “evitar o caos e o retrocesso”. Em meio a gritos de “Keiko para presidente”, apoiadores afirmaram temer uma guinada à esquerda. “Não podemos deixá-los vencer com o comunismo e o terrorismo”, disse Mérida Delgado, 65, à AFP, durante o comício.

Entre fogos de artifício e música andina, o esquerdista Roberto Sánchez, deputado e ex-ministro de 57 anos, prometeu “mudança radical” e combate à corrupção. “Será o fim do caos, o fim da ‘Sra. K’, o fim dos assassinatos, da corrupção e da impunidade”, declarou. No público, Cristina Sotomayor, administradora de 63 anos, afirmou à AFP: “Todos esses anos foram caóticos. Esta será a quarta derrota de Keiko. Vivi a era de seu pai, que foi marcada pela corrupção total”.

Eixos da disputa: segurança e combate à corrupção

A segurança pública domina a agenda. O Peru registrou em 2025 um aumento de 20% nos casos de extorsão notificados em relação ao ano anterior, segundo dados oficiais. Em Lima, a taxa de homicídios chegou a 23 por 100 mil habitantes em 2025, três vezes o nível observado cinco anos antes. Keiko tem prometido uma postura firme contra a criminalidade, enquanto Sánchez atribui a escalada da violência à corrupção e propõe a “morte civil” para corruptos — impedimento permanente de ocupar cargos públicos.

Cenário eleitoral incerto e histórico de instabilidade

A poucos dias da votação, pesquisa divulgada há cinco dias aponta empate técnico, com cerca de um quinto do eleitorado indeciso e cansado da turbulência política que levou o país a ter oito presidentes em uma única década. O primeiro turno — com cerca de 30 candidatos, falhas técnicas e denúncias de fraude — evidenciou a fragmentação e a frustração com a classe política: juntos, Fujimori e Sánchez não superaram 30% dos votos.

Keiko Fujimori, líder do partido Fuerza Popular e principal referência do fujimorismo, chega ao quarto segundo turno presidencial após ser derrotada nas disputas de 2011, 2016 e 2021, segundo seu histórico público. Sánchez, por sua vez, busca se consolidar como a voz de eleitores pobres e de áreas rurais, responsabilizando elites e o Parlamento pela instabilidade.

Desafios no horizonte

Apesar da instabilidade política, a economia peruana permanece estável. O próximo presidente enfrentará um Congresso dividido e profunda desconfiança da população em relação ao governo, cenário que tende a exigir negociações constantes e capital político para avançar em reformas.

Votação e próximos passos

Cerca de 27 milhões de peruanos estão convocados às urnas para o segundo turno, em um país onde o voto é obrigatório. O resultado definirá a direção do governo diante das prioridades de segurança, combate à corrupção e reconstrução da confiança institucional.

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