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PF faz busca na casa de Ciro Nogueira em operação que apura supostas vantagens indevidas pagas por dono do Banco Master
A Polícia Federal cumpriu, nesta quinta-feira (7), mandado de busca e apreensão na residência do senador Ciro Nogueira (PP-PI), em Brasília, no âmbito da Operação Compliance Zero. A decisão que autorizou a fase da operação, assinada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), aponta indícios de atuação coordenada entre o parlamentar e o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, com o pagamento de vantagens indevidas que incluiriam repasses mensais, viagens internacionais de luxo e custeio de despesas pessoais.
Relação sob suspeita
Segundo a decisão do STF, Ciro Nogueira é descrito como “destinatário central” de vantagens atribuídas a Daniel Vorcaro. Em etapa anterior da investigação, o banqueiro referiu-se ao senador como “grande amigo da vida” em mensagem à namorada. Entre os elementos elencados pela PF estão pagamentos mensais que variariam de R$ 300 mil a R$ 500 mil, hospedagens em hotéis, refeições em restaurantes de alto padrão, disponibilização de cartão para gastos pessoais e a compra de participação societária com deságio estimado em R$ 12 milhões.
Diálogos sobre custeio de despesas
Investigadores rastrearam conversas que, de acordo com a representação apresentada ao STF, tratam do custeio de despesas do senador e de sua mulher em restaurantes. Em um dos trechos, Léo Serrano, descrito como operador de Vorcaro, questiona: “Só uma pergunta rápida… eh pros meninos continuarem pagando conta dos restaurantes do Ciro/Flávia até sábado?”. Na sequência, Daniel Vorcaro responde: “Sim. Depois leva meu cartão para St. Barths”.
Pagamentos mensais e atrasos
A decisão também destaca mensagens entre Daniel Vorcaro e seu primo, Felipe Vorcaro, apontado pela PF como operador financeiro, sobre pagamentos mensais a Ciro Nogueira. Em 28 de janeiro de 2025, Felipe informa sobre o “aumento dos pagamentos”, ao que Daniel responde pedindo que “resolva isso” e dizendo que “repõe o dinheiro depois”. Em 30 de junho de 2025, Daniel questiona: “Cara eu no meio dessa guerra atrasou dois meses ciro?”, e Felipe devolve: “Vou ver se dou um jeito aqui.. Vai continuar os 500k ou pode ser os 300k?”.
Emenda ao FGC sob investigação
De acordo com a PF, o suposto esquema teria resultado na apresentação de uma proposta legislativa de interesse do Banco Master. A investigação cita a Emenda nº 11 à PEC nº 65/2023, protocolada por Ciro Nogueira em 13 de agosto de 2024, cujo objetivo era ampliar a cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) de R$ 250 mil para R$ 1 milhão por depositante. A representação sustenta que o texto teria sido redigido pela assessoria do Banco Master.
O FGC é uma entidade que oferece garantia limitada a depósitos e alguns instrumentos financeiros em caso de intervenção, liquidação ou falência de instituições financeiras, cobrindo produtos como contas de poupança e CDBs, entre outros. O debate sobre a elevação do limite de cobertura costuma mobilizar bancos, reguladores e investidores por seus potenciais impactos sobre custos, incentivos e estabilidade do sistema financeiro. No caso em investigação, a PF apura se houve atuação parlamentar direcionada a atender interesses privados do Banco Master.
Próximos passos
A operação desta quinta-feira aprofunda a coleta de provas sobre a relação entre o senador e o banqueiro, inclusive a origem e a destinação de valores citados nas mensagens. O caso segue sob análise do STF, e as conclusões dependerão do avanço das diligências e da avaliação do material apreendido. Até o momento, as informações divulgadas se baseiam na decisão judicial e nos elementos reunidos pela Polícia Federal na Operação Compliance Zero.